A inovação anda em ciclos


A inovação anda em ciclos

Semana passada eu tive uma reunião com a NONG, uma startup com atuação na área de Drones daqui de Brasília, e nesse bate papo com os fundadores que contavam a história do nascimento da empresa, em especial, a história de um deles que ficou dois anos na China pelo Ciência sem Fronteiras estudando Engenharia Aeroespacial na renomada Beijing University of Aeronautics and Astronautics. Chegando lá, foi trabalhar na Huawei, que disse o seguinte para ele: “você vai para os projetos de Agro porque o seu país é bom em cultivo e você deve ser bom nisso também”, isso com um tom de “vocês serão o celeiro do mundo”. Foi alocado nos projetos de Drones, apaixonou-se, e o resto é história...

Dois ganchos aqui: “celeiro do mundo” e “uma startup de base tecnológica do segmento de Drones”. O Agro, ano passado, respondeu por 23,5% do PIB brasileiro segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O mercado de Drones faturou 300 milhões, ano passado, no Brasil, com 6 bilhões de dólares no mundo, tendo potencial de alcançar 11,2 bilhões de dólares até 2020, segundo o Gartner.

Baixo valor agregado versus alto valor agregado, mão de obra de pouca qualificação versus mão de obra altamente qualificada, possibilidade de substituição do homem pela máquina versus desenvolvimento da máquina pelo homem.

Qual o papel das instituições brasileiras que promovem desenvolvimento econômico e inovação nessa dicotomia?

Respeitadas as áreas de atuação de cada um, eu acredito que acelerar o desenvolvimento das pessoas e o trânsito delas no que vou chamar de “ciclo do ecossistema de inovação” é fundamental. Explico. Como qualquer sistema, somos interdependentes, quanto mais uma instituição do ecossistema se desenvolve, mais as instituições que se relacionam com ela se desenvolvem como efeito colateral. Um EMPREENDEDOR, que monta uma equipe e vira uma startup, que vira CEO e contrata funcionários, que cresce e vira INVESTIDOR de outras startups e MENTOR de outros empreendedores e startups, que se vira CONSELHEIRO de programas e políticas públicas para a inovação ou mesmo assume a ALTA DIREÇÃO de um órgão de governo, ou passa a ser PROFESSOR de outras dezenas de empreendedores e assim vai, um ciclo, quase um padrão com base nas pessoas no crescimento e desenvolvimento delas, tudo em rede.

Recentemente eu fui ao Chile, Portugal e Vale do Silício, e com essa ideia de ciclo na cabeça, ficou clara a velocidade acelerada que ele “gira” no Vale pela maturidade do ecossistema lá (investidores, aceleradoras, empreendedores, academia com mindset no mercado, startups, etc), em Portugal com alguma velocidade pela saída que eles encontraram na inovação depois da recessão de 2013 (25% de desempregados em idade ativa) e no Chile, bem parecido com o Brasil, que o ciclo ocorre de maneira lenta.

E em que direção acelerar? A do celeiro do mundo ou a do desenvolvimento tecnológico e inovação? Essa resposta eu deixo com você, basta pensar nos seus filhos netos.

Acredito, apoio e encabeço ações que estão dentro de algum ciclo, essa é minha visão. A exemplo do Startup Indústria, com chapéu de desenvolvimento industrial da ABDI, que acelera o desenvolvimento da INDÚSTRIA brasileira, tem como efeito colateral o desenvolvimento de STARTUPS, o fortalecimento de INSTITUIÇÕES parceiras e a oxigenação do mindset do GOVERNO por trazer novos conceitos, novas tecnologias e novas metodologias advindas das startups. Começamos um edital, acumulamos conhecimento, buscamos novos desafios, propomos novos projetos que vão gerar mais conhecimento que vão gerar novos projetos.

É tudo um ciclo...

Crédito ao Thiago Matsumoto pela inspiração de uma de suas palestras.



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