Duas lições da Copa do Mundo para o mercado de inovação


Duas lições da Copa do Mundo para o mercado de inovação

Eu escrevo esta coluna enquanto a partida entre Portugal e Marrocos está passando na televisão do escritório da Summit. A Copa do Mundo tem sido um fracasso para mim se eu olhar para a tabela e examinar os resultados. Em todos os jogos até agora, eu não cravei nenhum resultado nos meus palpites do nosso bolão interno. E eu achava que conhecia um pouco de futebol. Ainda acho que conheço.

A questão deste post é que o Mundial tem me ensinado duas coisas, que podem facilmente ser aplicadas ao mercado de inovação e tecnologia: não existem mais pequenos; e, ao mesmo tempo, cada vez menos faz sentido o fator sorte.

Eu comparo mentalmente as seleções de menor tradição com startups enxutas e em estágio inicial. Ao mesmo tempo, coloco nas grandes indústrias a história das campeãs do mundo. Para completar a balança, a tecnologia da Copa entra com o mesmo peso da inovação destes dois tipos de empresa.

A tecnologia digital nos trouxe uma realidade impensada anos atrás: é preciso de pouco para fazer muito. Uma grande empresa digital não precisa de grandes equipes ou máquinas milionárias, basta - muitas vezes - um computador e uma cabeça pensante. Os recursos físicos quase não precisam existir (como em uma startup que oferece serviços através de softwares) ou podem ser de terceiros (como é o caso do Uber e do Airbnb). Se tornou fácil inovar quando avaliamos a partir da perspectiva dos instrumentos necessários para isso.

Ao mesmo tempo em que isso acontece, as empresas tradicionais - ou as grandes seleções - ainda se preocupam em excesso com a engrenagem que outrora funcionou. Ela pode ser útil para ditar o ritmo das coisas e impor a grandeza necessária para dominar o mercado, mas não pode ser responsável por tudo. E quando é, geralmente fracassa (olhemos para as estreias de Brasil e Argentina. O mérito é todo dos adversários, claro, mas nós poderíamos ter sido mais cuidadosos e humildes).

Na Copa do Mundo, a tecnologia da revisão pelo vídeo e o auxílio dos árbitros que cuidam da tecnologia tem mudado partidas: gols são confirmados, pênaltis são marcados e decisões do juíz mudam mesmo que instantes depois do lance original. A prova entre o que é certo marcar e o que ocasionou dúvidas inicialmente é a comprovação de que não há mais margem para erros de arbitragem. Basta um simples replay na televisão.

Esse é um grande momento para as novas startups. E o mais interessante nisso tudo é que, assim como as seleções de tradição, muitas vezes as grandes empresas estão pouco dando bola para as novas soluções. Essa é a brecha para que negócios bem estruturados - ainda que pequenos - conquistem parcelas de mercado e ganhem os grandes.

Fora do esporte, quem tira a prova real é o próprio consumidor. Ele faz as vezes de juiz. E essa movimentação de mão dupla, onde o cliente não só consome um produto, mas o ajuda a desenvolver, é a consolidação de que o tamanho da engrenagem nada importa. Se você não estiver ligado nas movimentações de mercado, sua empresa pode ruir de uma hora para outra. Ou, sua seleção pode ser eliminada.

Azar o meu que fiz como as empresas tradicionais e apostei nas grandes no bolão da Copa. Acabou que até agora não acertei nenhum placar nos primeiros 18 jogos.




Por
20/06/2018

Assessor de imprensa da Gramado Summit e autor de ficção da Faro Editorial. Iniciou sua carreira na comunicação em 2014, passando pelas editorias gerais antes de chegar à tecnologia.


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