O que aprendi recrutando gente na era exponencial


O que aprendi recrutando gente na era exponencial

600 candidatos e duas edições depois, comecei a fazer algumas reflexões sobre o nosso programa de recrutamento e todas as pessoas que já passaram por ele.

Criamos todo o processo para conhecer pessoas, o seu caráter e a sua disposição para fazer coisas grandes e mudar o mundo com a gente.

Por isso não fazemos entrevistas, não avaliamos currículos, não divulgamos "vagas" e não testamos aptidões.

Sabe por quê? Porque não sabemos quais vagas teremos e nem quais são as aptidões para elas, porque fazemos coisas que ninguém fez ainda. Metade dos cargos que temos hoje, sequer sabíamos os nomes 6 meses atrás.

E o desafio está em encontrar pessoas dispostas a encarar o desconhecido. Embarcar em uma empresa que está criando um mercado totalmente novo, atendendo clientes que até então não eram atendidos por ninguém, com necessidades que nem eles sabem ainda que têm.

E o choque é que depois de 600 pessoas diferentes, só passaram 18. Não tínhamos limite de vagas ou qualquer critério de exclusão.

E o mais surpreendente avaliando os questionários é ver o quanto as pessoas ainda estão presas a um mundo antigo, cheio de restrições.

Estão acostumadas a fazer o mínimo necessário, o "padrão", o "normal". E o pior: acreditar que isso merece um bom salário, cheio de mimos e regalias, com benefícios, aumentos e segurança.

O alarmante é ver jovens nos seus 20 e poucos anos caindo de pára-quedas na vida adulta acreditando que o mundo os espera de braços abertos, assim como o sofá da casa da mamãe.

Poucas pessoas entendem que as coisas não estão prontas. A Bela não está pronta, as leis não estão prontas, o mundo não está pronto.

Se quisermos algum conforto ou regalia, é nosso dever construir isso. É com o nosso esforço e as nossas decisões que faremos a empresa que a gente "merece".

Porque a armadilha é acreditar que a gente merece alguma coisa. Que o mundo nos deve algo. Muitas pessoas ainda vivem acreditando que se mostrarem o seu potencial receberão em troca um aumento, uma promoção ou a chance de trabalhar em uma cidade descolada.

Mas a grande armadilha disso é achar que o mundo está pronto e todas as posições definidas. E o pior: nesse processo delegar a sua vida a outras pessoas, aquelas que "comandam as coisas".

Eu vejo uma mudança de paradigma muito grande e passar por essa transformação dói. Talvez no futuro, para os meus filhos, vai ser mais fácil porque já vão nascer em um mundo diferente, mais empreendedor.

Agora para nossas gerações de Baby Boomers, X e Y, o choque é grande. As antigas crenças de uma boa formação, emprego estável, cargo com nome bonito e plano de carreira já não atendem às nossas necessidades.

Aqui na Bela algumas palavras soam tão estranhas quando ouvimos, porque simplesmente não fazem parte do nosso dia a dia, como: promoção, chefe, cargo, atribuições.

E isso acontece porque a nossa missão de melhorar a vida das pessoas e empresas é tão grande, que o impacto das nossas ações precisa ser exponencial.

Fazer melhor é foda. Porque sempre pode ficar melhor, então não importa o quanto a gente faça algo maravilhoso, sempre dá pra fazer mais. Porque esse é o único caminho para a transformação.

Nós vivemos tanto tempo aceitando serviços caros e ruins que fazer diferente parece incrível, quando na verdade deveria ser o padrão.

E trabalhar nessa nova ordem exponencial é radicalmente diferente de tudo o que aprendemos. Todos os conceitos e verdades caem por terra. Porque hoje as coisas são globais, escaláveis e baratas. Acessíveis a todos.

Indústrias inteiras são dizimadas em meses. Novos modelos de negócios nascem a cada dia e as leis não conseguem acompanhar o ritmo.

E quem é atropelado pela inovação acaba ficando tão agarrado ao mundo velho, que a única alternativa passa a ser atirar pedra nos carros da Uber.

Protestar, exigir direitos, sonhar com uma estabilidade que na verdade nunca existiu. Acreditar que um dia o governo vai cuidar da sua aposentadoria. Que se perder o emprego, ganhará um seguro durante três meses.

A realidade é que isso tudo já acabou. E acabou tarde. O colapso nas contas públicas não se deve só à má gestão, mas ao próprio conceito de que "alguém" tem obrigação de cuidar de mim.

E o que aprendi recrutando gente, é que poucas pessoas entenderam o que está acontecendo.

E as que entenderam estão mudando o mundo à sua maneira. Enquanto a maioria diz "uau" quando baixa um novo app incrível, outros dizem "humm posso resolver esse problema", e criam aquele app incrível.

E você, em qual grupo se encaixa?




Por
06/11/2017

CEO na Bela Pagamentos. Empreendedor desde os 13 anos, apaixonado por negócios e auto-didata. Empreendedor Promessas Endeavor.


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