Pare de tentar inventar algo novo


Pare de tentar inventar algo novo

Para.
Reflete.
Bate cabeça.
Queima neurônios.
Pensa em algo que não vai ser tão útil assim.
Sente raiva.
Chuta parede.

É isso o que acontece com a maioria dos jovens empreendedores: a perda de tempo pensando em algo completamente novo, andando em círculos em busca de algo que talvez não seja original da nossa cabeça.

Desenvolver algo novo é extremamente difícil, porque, no século XXI, a maioria das coisas já existe. Mesmo conhecendo essa máxima, isso continua sendo o comum a quase todos nós: a ansiedade por desenvolver algo único, nunca visto de forma alguma no mercado. O aplicativo perfeito, o sistema que resolve todos os problemas. Perguntamos a amigos o que seria útil a eles, nos questionamos o que falta em nossas vidas e chegamos à absurda conclusão de que nada.

Eis o x da questão: o segredo não está no o que, mas no como.

Já citamos o Uber e o Airbnb como revolução: nada novo, apenas um novo modo de operar. Já abordamos o exemplo a não ser seguido dado pela Kodak: esquecer a inovação e focar no que está em alta hoje. Tudo em uma tentativa palpável de identificar a grande engrenagem que gira na frente de nossos olhos.

Quando o celular, por exemplo, surge em sua primeira versão comercializável, desenvolvida em 1983 pela Motorola, o impacto social quase ofusca o fato de que esse tipo de tecnologia já estava presente e em funcionamento quatro décadas antes. Durante a II Guerra Mundial, militares iam para os campos de batalha munidos de um equipamento de telefonia móvel, buscando acelerar a comunicação das situações de confronto. O tamanho do dispositivo pouco importa, já que a cada década enxergamos os celulares com novos formatos.

Mais uma vez, nada novo, só uma nova forma de utilizar algo já existente.

A telefonia móvel é só mais um exemplo que nos leva, mais uma vez, àquilo que precisamos entender. O nosso desafio não é criar algo novo, mas uma nova forma de utilizar o que já existe ao alcance das nossas mãos. Encontrar o tempo certo para a tecnologia certa.

"O que teremos à nossa disposição no futuro?" não é a pergunta de um milhão de dólares da vez. No fundo, nós sabemos. É basicamente o que temos hoje, mas sob uma nova ótica.

Precisamos parar de tentar inventar o que não existe, e reinventar o que já temos em nossas mãos. As grandes e mais disruptivas empresas do presente fizeram isso. Então,

Para.
Reflete.
Bate cabeça.
Queima neurônios.
Pensa em algo que já existe.
Transforma.




Por
28/09/2017

Assessor de imprensa da Gramado Summit e autor de ficção da Faro Editorial. Iniciou sua carreira na comunicação em 2014, passando pelas editorias gerais antes de chegar à tecnologia.


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