Renato Mendes: um panorama sobre a Nova Economia


Renato Mendes: um panorama sobre a Nova Economia

Cada vez mais a Nova Economia tem tomado conta do empreendedorismo. Entender o que esse termo significa e como ele muda a maneira com que o mercado se comporta é um pouco mais difícil.

Por isso, dando seguimento na série de entrevistas com os grandes nomes do mercado de inovação do Brasil, nós trazemos hoje a visão de Renato Mendes. O empreendedor, que lança o livro 'Mude ou Morra - Tudo Que Você Precisa Saber Para Fazer Crescer Seu Negócio E Sua Carreira Na Nova Economia' no próximo dia 4, em Porto Alegre (clique aqui para participar do evento), trouxe um panorama geral sobre o modo com que devemos encarar a essa nova fase.

Esse pode ser o primeiro passo para entender o modo com que os negócios de sucesso tem funcionado ultimamente.

Mendes acumula passagens por grandes empresas, como a Netshoes. Atualmente, é sócio da Organica, uma empresa que ajuda empresas e é uma das mais renomadas no ecossistema de inovação.

Vamos a entrevista?
_

Você é um dos principais nomes do marketing no Brasil, graças a uma carreira construída com diversos cases de sucesso. Nós queremos saber: onde inicia a vida profissional do Renato? Quais as principais viradas e méritos dela?

Olhando para a minha vida profissional, existe uma palavra que define muito essa trajetória: reinvenção. Ou, adaptando para o universo das startups, pivotagem. De forma não esperada, acabei reinventando minha carreira quatro ou cinco vezes, para chegar onde estou. Fiz faculdade de comunicação e comecei trabalhando não com publicidade, mas como jornalista econômico, durante quatro anos. Hoje isso parece distante, mas cobri negócios, finanças e macroeconomia, até decidir que não queria mais fazer isso da vida e fui empreender, abrindo uma consultoria de conteúdo. Nessa fase eu tinha uma sócia e nossa empresa tinha dois clientes. Então ela recebeu uma proposta e foi trabalhar na Kia, que estava chegando no Brasil, e acabamos fechando. Minha primeira tentativa de empreender tinha dado errado.

Eu não queria voltar para redação nem sabia o que fazer, então parti para a área de consultoria. Nesse tempo, eu estava aplicando em umas bolsas para estudar fora, e acabei sendo aceito em um Master em Economia Internacional em Madrid, onde fiquei um ano e meio. Voltei de lá determinado a ter uma coisa minha, para não voltar a trabalhar para ninguém. Não deu certo de novo.

Depois disso, fui trabalhar em uma agência e trouxe a bagagem da consultoria. Naquela época, entre 2008 e 2009, o digital era bem mais simples. Fazia-se, basicamente, hostsite, monitoramento de redes sociais, conteúdo de sites e concurso cultural. Fiquei ali quase dois anos, quando cruzei com o pessoal da Netshoes, que eu já conhecia, levando uma proposta da agência. O Márcio então me intimou para trabalhar lá, onde acabei ficando quase 6 anos, começando como freelancer e chegando a executivo. Lá me reinventei de novo.

Minha carreira nunca foi planejada, eu sempre pensava nos ciclos curtos e a minha cabeça sempre foi de "o que eu poderia aprender ao máximo naquela experiência que eu estava vivendo naquele momento". Quando eu falo de reinvenção, de repivotar a vida, penso que comecei com comunicação, virei jornalista, depois meio assessor de imprensa, especialista em redes sociais, especialista em e-commerce, e agora trabalho com startups na minha empresa, que é a Organica. São 5 ou 6 ciclos de 1998 para cá.

Quem era o Renato antes do Marketing? Quem é o Renato hoje?

Eu acredito que seja a mesma pessoa. Alguém inquieto. Hoje eu percebi que somos empreendedores seriais. Começamos com a Organica e hoje temos quatro unidades de negócios, que podem vir a ser quatro empresas. Temos uma capacidade de enxergar oportunidades, alavancar rapidamente, montar bons times, trazer boas pessoas para tocar e ficar na visão estratégica e acompanhando a execução do dia a dia.

Adoro experimentar coisas novas e fico entediado se fizer a mesma coisa por muito tempo, precisando tomar cuidado para que essa capacidade de criar não se transforme em falta de foco.

Você também é professor de Marketing Digital. Qual o papel da educação tradicional para um mercado que tende a mudar todos os dias?

A educação tradicional está em xeque. Eu brinco às vezes que talvez não sejamos a única geração que vai usar celular, mas também seremos a única geração que fez faculdade. Muitos de nossos pais não fez faculdade, e muitos de nós teremos filhos que não farão faculdade. Aquele modelo padrão de ficar horas tendo uma obrigatoriedade, isso vai acabar. Acho que meu filho, que tem menos de um ano, o conteúdo vai estar disponível para ele e ele só vai precisar de uma curadoria para saber onde encontrar. Não o imagino cinco anos em uma universidade. A educação é um dos setores que vai ser transformado, mesmo que ninguém ainda saiba o que vai acontecer.

Como você enxerga o mercado brasileiro? As empresas nacionais têm dado a devida atenção ao marketing?

Acredito que sim. O marketing é negócio, é venda. Às vezes as pessoas confundem marketing com uma perspectiva publicidade, mas ele sempre vai ter valor e importância, e o digital tem mudado a forma com que pensamos ele, o tornando mais acessível e mais democrático. Hoje podemos fazer coisas incríveis com um celular na mão, como construir uma estratégia para uma empresa. Isso antes era impensável.

Quando pensamos em marketing, o que deve ser mais importante?

O mais importante é o conhecimento do cliente. É a gente entender o problema de quem a gente resolve, que dor estamos curando. Um dos principais trabalhos que fazemos com a Organica é ajudar o cliente no aprofundamento do conhecimento do target. As pessoas geralmente tomam atitudes motivadas por dor ou por prazer, então, que dor tua marca está curando? Que prazer ela está propiciando? As marcas pensam que os clientes são entidades, mas não, são pessoas. O que nós tentamos fazer é entender que cliente não é tudo igual, você precisa segmentá-lo. A partir do entendimento do target, tudo fica mais fácil: o direcionamento da comunicação, a estratégia de canais, o desenho da jornada… Essa é uma chave que muitas empresas ainda não viraram. As empresas tradicionais olham muito para o produto, as da Nova Economia entendem que quem deve ser olhado é o cliente.

Recentemente você lançou, em parceria com Roni Cunha Bueno o livro "Mude Ou Morra - Tudo Que Você Precisa Saber Para Fazer Crescer Seu Negócio E Sua Carreira Na Nova Economia". Fale um pouco sobre a obra.

Essa é uma obra que temos muito carinho de ter feito, porque é fruto de toda nossa experiência, construído a partir das nossas vivências, das nossas observações e do nosso convívio com esses líderes que a gente tanto admira, que são nossos clientes e parceiros de negócios.

'Mude ou Morra' pretende ser o guia definitivo para ajudar pessoas e empresas a se reinventarem na Nova Economia. Por isso ele é dividido em três partes: a primeira apresenta a Nova Economia e explica que o mundo está mudando e precisamos entender o que está acontecendo; na segunda parte explicamos como empreender ou reinventar sua carreira neste novo cenário; e na terceira, falamos sobre gestão, sobre técnicas para aplicar isso no dia a dia.

Nós nos surpreendemos, porque nos tornamos a obra mais lida em empreendimentos na Amazon e top 50 no Brasil em todas as categorias. Eu brinco dizendo que se tivesse vendido 300 exemplares eu entenderia, mas dois mil? Eu não tenho tantos amigos assim.

Que contribuição você pretende dar ao empreendedor brasileiro com ele? Como você imagina o empreendedorismo nacional daqui a alguns anos?

O Brasil está passando por uma grande mudança quando o assunto é empreendedorismo. Na minha infância, nunca fui incentivado a empreender. Eu fiz isso porque era algo que nasceu comigo e fui aprendendo a canalizar essa energia, abrindo empresas que não deram certo até chegar na Organica, que tem dado certo. A minha geração é uma geração que foi educada para ser funcionária. Agora temos uma geração entendendo que o país precisa de empreendedores, que um país só cresce com empreendedores.

Eu sou da geração do medo, a geração que não pode errar, que precisa encontrar um bom emprego e fazer uma boa faculdade. Quando olho para a nova geração, fico animado com as possibilidades, com as visões que eles tem, por eles estarem abrindo essa caixinha do empreendedorismo que vai trazer muitos frutos ao Brasil.

'Mude ou Morra', de alguma forma, é nossa contribuição para esse processo. Estamos vivendo uma ruptura da velha para a Nova Economia, e o livro busca orientar essas duas gerações a encontrarem seus caminhos, sendo abrindo uma empresa ou empreendendo dentro de uma empresa.

Atualmente, você é um dos sócios da Organica. O que ela representa para o mercado brasileiro?

A Organica muito rapidamente se firmou como um dos principais players no ecossistema de empreendedorismo brasileiro, sendo respeitado por aceleradoras, fundos de investimentos e, principalmente, por empreendedores. Em três anos de existência, nós já aceleramos mais de 40 startups, como Melliuz, MaxMilhas, Dr. Consulta... Trabalhos com muitas das startups mais legal do Brasil, contribuindo com o negócio deles. Temos atuado também com grandes clientes, o que não era planejado. Trabalhamos com marcas que faturam bilhões de reais, como Oi, Banco Santander, e players muitos grandes, tornando a Organica uma referência em tudo que diz respeito à Nova Economia, seja acelerando startups, seja para ajudar grandes empresas a entrarem nesse ecossistema. Tudo está casado com o livro.

Se você pudesse deixar um recado aos novos empreendedores, qual seria?

Façam. Comecem. Façam o melhor que podem com o que tem à disposição agora. Não existe empreendedorismo de ótimas ideias, ou de planejamento. O que existe é execução. Não espere as condições ideais porque elas nunca virão. A gente sempre diz que o feito é melhor que o perfeito, é isso. Eu falo com vários caras que pedem mentoria e dizem que só estão esperando algo para começar. Não existe isso. Começa. Temos que entender que o erro vai acontecer, e o que importa é fazemos com esse erro, o aprendizado que a gente tira. Quando você vê a curva de aceleração da Netshoes, o faturamento, você diz que alguém traçou uma estratégia em 2005 e abriu IPO em 2017, nada menos verdadeiro. Na verdade, o que a Netshoes fez foi se reinventar a cada obstáculo que inventada. Foi daí que tiramos a metodologia do Champion Vs. Challenger, onde pegamos um modelo que nos leva a um lugar, pegá-lo e reinventá-lo. Se sua empresa está onde está, ela chegou até ali com um modelo, o seu modelo campeão. Mas precisamos questioná-lo sobre como o tornar mais eficiente. O mérito da Netshoes é ter se reinventado tantas vezes. É por isso que me reinventei tantas vezes. Essa também é a cultura da Organica, que ajuda também a mudarem.

É como diz nosso livro: se as empresas não mudarem, elas vão morrer.




Por
27/04/2018

Assessor de imprensa da Gramado Summit e autor de ficção da Faro Editorial. Iniciou sua carreira na comunicação em 2014, passando pelas editorias gerais antes de chegar à tecnologia.


Assine nosso blog

Não perca nenhuma novidade!

Assine nosso blog

Não perca nenhuma novidade!