Você é realmente capaz de fazer isso?


Você é realmente capaz de fazer isso?

A sentença que dá título a esse texto pode servir tanto como uma bomba de adrenalina injetada na veia como um tiro capaz de matar dentro da gente todas as expectativas. Tudo depende do quanto nos sentimos preparados para realizar o que estamos nos propondo a fazer ou somos loucos o suficiente para fechar os ouvidos para ela.

Para nós, apaixonados por inovação, o impacto dessa pergunta pode ser muito maior.

Nós vivemos inquietos, por essência. E, quando decidimos que inovar é uma alternativa interessante, precisamos praticamente ignorar as possibilidades de resposta para a questão, porque nós realmente não sabemos se somos capazes. Ninguém fez deste modo antes, será que eu vou conseguir? Por mais otimista que sejamos, é impossível saber.

Pensar sobre isso me lembra Neil Gaiman, que em um discurso de formatura como homenageado na University of the Arts, fala sobre a importância de se sentir apto a fazer alguma. "Alguém me perguntou recentemente como fazer alguma coisa que ela julgava difícil. Nesse caso, gravar um audiobook. Eu sugeri que ela fingisse ser alguém que poderia fazê-lo. Não fingir fazê-lo, mas fingir ser alguém que podia fazê-lo. Ela colocou um quadro desse conselho na parede do estúdio e disse que ajudou". Talvez seja isso que tem faltado para nós.

O filme Little Boy traz mais ou menos essa visão sobre a esperança: nós precisamos acreditar que realmente podemos. No longa, um pequeno menino sonha com o retorno do pai, que está servindo ao exército americano durante a Segunda Guerra Mundial e vira prisioneiro de guerra dos japoneses. Com a ajuda de um padre e de um japonês (grandes inimigos da população americana no período, devido a Pearl Harbor), ele segura seu grão de mostarda e tenta ser alguém melhor, como se a volta de seu pai realmente dependesse disso. E, a loucura dele faz sentido para caramba no fim da trama.

A verdade é que Gaiman é sábio pra caramba quando diz que as velhas regras estão desmoronando e ninguém sabe quais são as novas. O que tira a nossa esperança, então, é os padrões que já deixaram de ser e não existem mais.

Se essa pergunta surgir na sua frente, você não é obrigado a dizer se é ou não capaz. Diga que vai tentar. Ninguém ainda fez isso, talvez você seja o primeiro. Talvez você possa ser o alguém que vai fazer isso agora, basta fingir poder fazer.

Sejamos como Gaiman

Então, sejam sábios, porque o mundo precisa de sabedoria. E se vocês não puderem ser sábios, finjam ser alguém que é sábio e então se comportem como eles fariam.

Talvez a pergunta que devemos nos fazer não seja exatamente a que abre este texto, mas: você acha que pode fazer isso?




Por
17/01/2018

Assessor de imprensa da Gramado Summit e autor de ficção da Faro Editorial. Iniciou sua carreira na comunicação em 2014, passando pelas editorias gerais antes de chegar à tecnologia.


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