Você realmente tem inovado?


Você realmente tem inovado?

Empreender no período em que vivemos deixou de ser algo confortável para se tornar tarefa inquietante. Diferente de outros tempos, quando o patrão poderia colocar o funcionário a trabalhar e focar apenas na manutenção dos serviços, hoje em dia é necessário quebrar a cabeça o tempo inteiro em busca de um processo constante de reinvenção e inovação.

Mas o que é este ato de reinventar-se?

Em uma pesquisa breve em busca de referências para embasar esse assunto, deparei-me com duas realidades distintas: a da IBM e a da Blackberry. Se você tem menos de 35 anos, provavelmente conhece melhor a história da segunda marca, com grandes chances de ter sido usuário de seus produtos. Mas isso não vem ao caso agora. Um fator determinante diferencia as duas: a capacidade de pensar à frente de seu tempo.

Fundada em 1984, a Blackberry é o típica história de uma marca que alcançou o topo e deixou de existir expressivamente quase que instantaneamente, sendo destruída pelo mercado que ela mesma ajudou a construir. Após começar atendendo o público corporativo, a empresa ganhou fama na primeira década do século XXI com os smartphones de teclado qwerty, dominando o mercado global entre 2005 e 2010. Com a chegada dos sistemas android e iOS, a tecnologia de telefonia da empresa não resistiu, caindo drasticamente e voltando a atender ao mercado corporativo a partir da segunda década do século. Hoje, menos de 0,1% do mercado é dela. Tudo isso em pouco mais de 30 anos de vida.

Por outro lado, a International Business Machines (IBM) carrega uma história completamente diferente, protagonizando no mercado desde 1911. Após Thomas Watson assumir a empresa em 1914 e implantar o bordão "Think" (há quem diga que o "think different" de Steve Jobs seria baseado no slogan de Watson), a gigante americana começou uma série de revoluções que transpassará o século. Quando estava prestes a ruir, surgia com algo completamente novo para reinventar o mercado, como o já extinto disquete. Ao longo de sua história, ainda desenvolveu diversas tecnologias, como primeiro sistema capaz de auto aprender.

Diferente da Blackberry, a empresa não se preocupou exclusivamente em recuperar mercado e reinventar produtos, mas em abrir novos horizontes através da criação de algo novo. Apesar de alguns fracassos, em 106 anos de história, mantém-se entre as maiores do mundo, sendo a quinta maior americana na área de tecnologia. Isso é muito para uma empresa secular em um ramo que muta todos os dias.

Esse é o exemplo que precisamos seguir.

Reinventar não tem nada a ver com melhorar o que já existe, mas encontrar em uma nova alternativa a chance de continuar grande e revolucionar o mundo em que vivemos. Podemos mudar o que já existe ou podemos criar algo totalmente novo, só não podemos continuar a tentar sempre evoluir as mesmas coisas.

O mercado é cruel para quem busca novas formas de fazer o que já existe, mas é quase exclusivo (pelo menos por um tempo) para quem se arrisca a criar algo novo.

O tamanho de sua empresa não diz quanto tempo ela sobreviverá.




Por
01/11/2017

Assessor de imprensa da Gramado Summit e autor de ficção da Faro Editorial. Iniciou sua carreira na comunicação em 2014, passando pelas editorias gerais antes de chegar à tecnologia.


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